Congresso perdeu a hora de discutir superendividamento e mercado já se regulou, diz dirigente lojista

18 de outubro de 2013

Economia



Congresso perdeu a hora de discutir superendividamento e mercado já se regulou, diz dirigente lojista
http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2013-10-18/congresso-perdeu-hora-de-discutir-superendividamento-e-mercado-ja-se-regulou-diz-dirigente-lojista
Oct 18th 2013, 16:55

Carolina Gonçalves

Repórter da Agência Brasil

Brasília – O Congresso Nacional perdeu o momento certo de discutir regras que estanquem o superendividamento da população, disse hoje (18) o presidente da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), Roque Pellizzaro Júnior. Para ele, o mercado regulou-se naturalmente e não há mais necessidade de rever o Código de Defesa do Consumidor (CDC) nesse aspecto, como propõe a comissão criada no Senado para modernizar a cartilha.
"O que estamos vendo já é um processo de conscientização sobre esse tema. Quem concede o crédito tem cautela maior e as famílias têm a sensação de que precisam ter mais domínio sobre seu orçamento. O tema poderia ter sido discutido há três anos", disse ele.
Na semana passada, os senadores que integram a comissão especial de revisão do Código de Defesa do Consumidor conheceram a proposta do relator, Ricardo Ferraço (PMDB-ES), que pode ser o texto final sobre o tema. Um dos pontos da proposta trata da situação de endividamento dos consumidores impulsionada pelas facilidades de acesso ao crédito.
No texto, estão regras que estabelecem o compartilhamento de responsabilidade entre agentes financeiros e consumidores e obrigam bancos e financeiras a analisar antecipadamente a capacidade de pagamento do cliente e a fornecer todas as informações sobre as condições do crédito, como juros e encargos.
Segundo Pellizzaro, o mercado já cumpre as exigências pelas condições naturais. "Se eu vendo para você acima da sua capacidade [de pagamento], você não vai me pagar, e eu vou ter que arcar com o prejuízo. O próprio mercado se ajusta", disse o economista. Para ele, os mecanismos para garantir maior segurança às operações de crédito devem priorizar a concorrência e não precisam estar no CDC.
O representante dos lojistas disse que modelo atual "não é ruim", mas ressaltou que modalidades como a do crédito consignado criam distorções, "porque prende o dinheiro antes da pessoa deliberar o que quer fazer com esse dinheiro". Segundo ele, foi essa modalidade que abriu espaço para anúncios de financeiras, veiculados abertamente em jornais e na televisão, com promessas de crédito fácil, sem exigência de comprovação de débitos abertos ou de comprometimento com outras operações.
"Quem gerou isso foi a própria estrutura, quando permitiu o crédito consignado. Essas financeiras fazem um tipo de analise jurídica em que quem concede tem a certeza do recebimento", criticou. Para o economista, medidas como o cadastro negativo funcionam melhor, como um "gatilho" para impedir o superendividamento, já que bloqueiam a possibilidade de um consumidor inadimplente continuar comprando ou tomando mais dinheiro emprestado.
Para o economista Luiz Rabi, da empresa de consultoria Serasa Experian, a disponibilidade de mais crédito no mercado não é um problema, como consideram os parlamentares, que alertam que o acesso ampliado aos financiamentos, sem regras atualizadas no CDC, induziram os brasileiros ao superendividamento.
O acesso ao crédito no Brasil ganhou impulso a partir de 2004, com o empoderamento das famílias e as medidas de estímulo adotadas pela equipe econômica. O reflexo sobre o consumo foi imediato. A classe média, responsável por quase metade de tudo que é comprado pelas famílias no país (equivalente a R$ 1 trilhão por ano), segundo dados da Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República, passou a representar a situação de mais de 100 milhões de brasileiros, com o ingresso de quase 40 milhões de pessoas na última década.
O cenário otimista levou muitas famílias a consumir mais do que poderiam pagar, e as taxas de inadimplência aumentaram. O Parlamento quer regular agora essa situação. Para Rabi, se o mercado considerasse, desde o início, a capacidade de pagamento do consumidor, o crédito teria sempre um efeito de aliado. "Os bancos já aprenderam a lição. Enquanto estavam batendo metas e fechando contratos, era só alegria, mas depois veio o problema."
Rabi lembrou que, de entre 2009 e 2011, anos marcados pelos estímulos a tomada de crédito, os bancos adotaram uma postura agressiva em busca de tomadores e o governo criou incentivos ao consumo como redução de tributos, como o IPI e houve uma euforia dos consumidores. O economista acredita que o mercado e os consumidores chegaram, sozinhos, a um período de ajustes.
"Se os dois [crédito e capacidade de pagamento] crescem, não gera inadimplência", disse. "[A taxa de inadimplência] cresceu 21% em 2011 e, no ano passado, mais 15%. Mas, este ano, estamos próximos da taxa de 0%. O consumidor está tirando o pé do acelerador e querendo pagar suas dívidas e os bancos estão mais prudentes."
Edição: Nádia Franco
Todo o conteúdo deste site está publicado sob a Licença Creative Commons Atribuição 3.0 Brasil. Para reproduzir o material é necessário apenas dar crédito à Agência Brasil



You are receiving this email because you subscribed to this feed at http://blogtrottr.com

If you no longer wish to receive these emails, you can unsubscribe here:
http://blogtrottr.com/unsubscribe/pnn/jxDP92

Espalhe:

Nenhum comentário:

Postar um comentário


Explore os canais Ouni

Notícias
Nacional

Internacional
Finanças
Política
Justiça
Segundo Caderno
Esportes


Educação
Inovação

Serviços
Barra de Ferramentas

Buscador
Locais
Previsão do Tempo
Tradutor
Viagens

Entretenimento
Carros

Cultura
Famosos
MAXX FM
Música
Stations (Busca Rádios)

Estilo de vida
Homem

Mulher

Chat
Amizade

Encontros
Livre
Paquera
Sexo (+ 18 anos)
Webmasters
Outras salas

Fale conosco
Atendimento Virtual
Avalie-nos
E-mail

Fone Fácil
Fórum
Reclame Aqui
Redes Sociais

Copyright 2008 - 2019 © DVRG - Todos os direitos reservados.
"O uso desse website significa que você aceita os Termos de Uso e a Política de Privacidade"

Informações Importantes | Política de Privacidade | Termos de Uso

Vá para o Ouni