Abertura de novas empresas passa de 1,2 milhão, mas traz concorrência predatória ao mercado, afirma analista

13 de junho de 2019

Com os níveis de desocupação aumentando em cerca de 0,5% em relação ao trimestre anterior, de acordo com dados do IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (13,2 milhões de pessoas desocupadas), desemprego, mudanças na legislação trabalhista e renda baixa, o brasileiro vem adotando a postura empreendedora que, há alguns anos, o amedrontava.

Segundo o Empresômetro, empresa brasileira de inteligência de mercado, até maio, o país fechou o ano com mais de 1,2 milhão de novos empreendimentos.

“O crescimento nos primeiros cinco meses do ano foi estável, com pouca variação, o que demonstra a atuação do perfil empreendedor do brasileiro, algo que nunca havia sido imaginado como alternativa”, diz o CEO do Empresômetro, Otávio Amaral.

As atividades econômicas que mais abriram não mudaram, são aquelas essenciais na vida moderna e que têm afinidade com a maioria das pessoas.
“São lojas de roupas, salões, lanchonetes e serviços de entrega de comida, além da construção civil. São negócios que impulsionam o mercado empreendedor, além de serviços que podem ser prestados com pouco treinamento e que, geralmente, têm um retorno imediato”, afirma Amaral.

De acordo com o levantamento do Empresômetroo maior número de abertura de novos negócios foi no setor varejista de roupas, seguido por serviços de cabeleireiros, promoção de vendas, obras em alvenaria e lanchonetes.


ATIVIDADE – REF. MAIO DE 2019

4781400 - COMÉRCIO VAREJISTA DE ARTIGOS DO VESTUÁRIO E ACESSÓRIOS
14186
9602501 - CABELEIREIROS
12296
7319002 - PROMOÇÃO DE VENDAS
9682
4399103 - OBRAS DE ALVENARIA
8745
5611203 - LANCHONETES, CASAS DE CHÁ, DE SUCOS E SIMILARES
6461

Uma boa notícia para o mercado, mas uma não tão boa para o empresário de negócios tradicionais. Com essa concorrência aumentando, grandes empresas como as que trabalham com obras e manutenção de casas e prédios estão tendo que inovar para não serem deixadas para trás e engolidos pelos novos empreendedores.

São reduções de preços, incrementação dos serviços, demissões, marketing mais agressivo, além do medo de ser colocado para fora do mercado.
“Com custos maiores, toda a expertise de anos desses tradicionais negócios pode ser um empecilho; com a concorrência aumentando, mas como estão começando e querem ‘fazer nome no mercado’, oferecem mais serviços por preços menores, quebrando grandes concorrentes”, esclarece Amaral.

A economia ainda instável, taxas de desocupação e desemprego em elevação, e vendo como saída o auto emprego e o próprio negócio, o brasileiro busca alternativas que possam trazer uma renda maior para dentro de casa, além da satisfação pessoal com suas atividades.

“Acreditamos que até o final do ano, esses segmentos, que estão em franco crescimento, devem seguir essa linha de ascensão, no entanto, em breve, o mercado poderá apresentar uma saturação desse tipo de serviço e profissional, o que fará com que esse novo empresário busque alternativas diante da concorrência, ou que volte ao mercado formal como empregado”, conclui Amaral.


Matéria: Agência Descomplica
Imagem: Divulgação
    

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